Site Oficial do Escritor Paulo Coelho

Discuta meus livros
com outros leitores

E-cards
iPhone app
Página inicial
Pesquisa
Biografia
Instituto Paulo Coelho
Galeria de fotos
Caminho de Santiago
Agenda do Paulo Coelho
Livros publicados
Papel de parede
Cartões virtuais
Guerreiro da Luz Online
Para Jornalistas
Coluna semanal
Mensagem do dia
Perguntas freqüentes
Mensagem para o autor
Web Museum
Kindle
Loja Virtual
Recomende este site

Coluna semanal - Paulo Coelho

CARTAS DE AMOR DE GIBRAN

Kahlil Gibran (1883-1931), nascido no Líbano, será lembrado por seu clássico “O Profeta”, que sessenta anos depois de sua publicação, continua na lista dos mais vendidos de diversos países. Em 1995, li sua correspondência amorosa com Mary Haskell, uma americana dez anos mais velha que ele. Ali encontrei um homem complexo e fascinante – o que me incentivou a selecionar alguns textos para a publicação (“Cartas de Amor do Profeta”, Ediouro, fora de circulação infelizmente). Aqui vão alguns fragmentos:

10/3/1912
Mary, minha adorada Mary, como você pode achar que me está dando mais sofrimento que alegrias? Ninguém sabe direito qual é a fronteira entre a dor e o prazer: muitas vezes eu penso que é impossível separá-los. Você me dá tanta alegria que chega a doer, e você me causa tanta dor que eu chego a sorrir.

8/7/1914
Sempre pensei que, quando alguém nos entende, termina por nos escravizar – já que aceitamos qualquer coisa para sermos compreendidos. No entanto, sua compreensão trouxe-me a paz e a liberdade mais profunda que já experimentei. Nas duas horas de sua visita, você descobriu um ponto negro no meu coração, tocou-o, e ele desapareceu para sempre – fazendo com que eu enxergasse minha própria luz.

18/4/1915
Os dois dias em que estivemos juntos foram magníficos. Quando falamos sobre o passado, sempre tornamos mais real o presente e o futuro. Por muitos anos, tive pavor de olhar aquilo que vivi, e sofri em silêncio. Hoje entendi que o silêncio nos faz sofrer mais profundamente. Mas você me faz conversar, e eu descubro as coisas empoeiradas que se escondiam na minha alma, e então posso arrancá-las dali.

17/7/1915
Nós dois estamos procurando tocar os limites da nossa existência. Os grandes poetas do passado sempre se entregavam à Vida. Eles não procuravam uma coisa determinada, nem tentavam desvendar segredos: simplesmente permitiam que suas almas fossem arrebatadas pelas emoções. As pessoas estão sempre buscando segurança, e às vezes conseguem: mas a segurança é um fim em si, e a Vida não tem fim. Poetas não são aqueles que escrevem poesia, mas todos os que têm o coração cheio do espírito sagrado do Amor.

10/5/1916
Querida Mary: estou enviando uma parábola que terminei. Tenho escrito pouco, e apenas em árabe. Mas gostaria de ouvir suas correções e sugestões sobre este trecho:
Na sombra de um templo, meu amigo me apontou um cego. Meu amigo disse: “Este homem é um sábio”.
Aproximamos, e perguntei: “desde quando o senhor é cego?”
“Desde que nasci”.
“Eu sou um astrônomo”, comentei.
“Eu também”, o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito, disse: “Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se movem dentro de mim”.

 

  © 1996 - 2009 Paulo Coelho - desenvolvido por Online Internet Services